
- Na era vitoriana, as calças não podiam ser mencionadas na presença de uma senhorita.
- Hoje não fica bem dizer certas coisas na presença da opinião pública. O capitalismo ostenta o nome artístico de economia de mercado, o imperialismo chama-se globalização.
- As vítimas do imperialismo chamam-se países em vias de desenvolvimento, o que é como chamar os anões de crianças.
- O oportunismo chama-se pragmatismo, a traição chama-se realismo.
- Os pobres chamam-se carentes ou pessoas de escassos recursos.
- A expulsão das crianças pobres do sistema educativo é conhecida sob o nome de deserção escolar.
- O direito do patrão de despedir o operário sem indenização nem explicação chama-se flexibilização do mercado de trabalho.
- A linguagem oficial reconhece os direitos das mulheres entre os direitos das minorias, como se a metade masculina da humanidade fosse a maioria.
- Ao invés de ditadura militar, diz-se processo.
- Quadro de Fernando Botero. As torturas chamam-se pressões ilegais, ou também pressões físicas e psicológicas.
- Quando os ladrões são de boa família, não são ladrões e sim cleptomaníacos.
- O saqueio dos fundos públicos pelos políticos corruptos responde pelo nome de enriquecimento ilícito.
- Chamam-se acidentes os crimes cometidos pelos automóveis.
- Para dizer cegos, diz-se deficientes visuais, um negro é um homem de cor.
- Onde se diz longa e penosa enfermidade deve-se ler câncro ou AIDS.
- Doença repentina significa enfarte, nunca se diz morte e sim desaparecimento físico.
- Tão pouco são mortos os seres humanos aniquilados nas operações militares.
- Os mortos em batalha são baixas, e as de civis que a acompanham são danos colaterais.
- Em 1995, quando das explosões nucleares da França no Pacífico Sul, o embaixador francês na Nova Zelândia declarou: "Não me agrada a palavra bomba, não são bombas. São artefactos que explodem".
- Chamam-se "Conviver" alguns dos bandos que assassinam pessoas na Colômbia, sob proteção militar.
- Dignidade era o nome de um dos campos de concentração da ditadura chilena e Liberdade a maior prisão da ditadura uruguaia.
- Chama-se Paz e Justiça o grupo paramilitar que, em 1997, metralhou pelas costas quarenta e cinco camponeses, quase todos mulheres e crianças, no momento em que rezavam numa igreja da aldeia de Acteal, em Chiapas.
Eduardo Galeano
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1 Comments:
quem não tem papel... dá o recado pelo muro!
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